MAUSOLÉU DO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA DE SANTOS

Após o final da Revolução Constitucionalista de 1932 a construção de um mausoléu para homenagear os heróis que morreram durante a luta pela restauração da democracia no País passou a ser um dos principais objetivos de quase todos os grupos de ex- combatentes paulistas que se organizaram após o final dos confrontos.

Apesar de derrotados no campo de batalha, imediatamente após a suspensão do conflito, diversas entidades surgiram nas maiores cidades paulistas. Estas associações passaram a mobilizar-se buscando resgatar os restos mortais de companheiros que haviam tombado nas frentes de combate e tiveram seus corpos enterrados na própria trincheira, mas que agora eram reclamados pelos familiares e companheiros enlutados.

Ao longo do tempo, muitos empecilhos surgiram. As dificuldades para localização, identificação e traslado para as cidades de origem e a falta de recursos financeiros para a construção de um mausoléu que pudesse receber e reunir condignamente os despojos destes heróis impediu que este anseio fosse realizado com rapidez.

Em Santos, isto não foi diferente. A campanha para arrecadação de fundos para esta empreitada começou em 1933, contado sempre com apoio das autoridades locais, empresários e de toda a população. Na década de 1950 começaram as obras para a construção de um grande monumento mausoléu, o “Filhos de Bandeirantes“ obra do escultor Antelo Del Debbio, que erigido na Praça José Bonifácio, um dos principais logradouros da cidade, presumia-se que fosse atender a todas as expectativas.

Parecia que a solução seria perfeita, afinal a obra inaugurada em 26 de janeiro de 1956, é com certeza o mais belo monumento deste gênero no Estado de São Paulo.

Mas, infelizmente, devido a um problema técnico, constatou-se logo depois, que sob a base de granito do magnífico monumento, que possui mais de 15 metros de altura, não se poderiam depositar os despojos dos heróis santistas, e que após 24 anos, ainda estavam com seus corpos dispersos em diversos cemitérios e campos de batalha.

A solução para isto começou a surgir em 27 de junho de 1958, quando um grupo de veteranos ex-combatentes de 1932, reunidos na sede da Prefeitura Municipal, fundaram a Associação dos Combatentes de 1932 de Santos, e reiniciando então, mais uma luta: a construção de um mausoléu efetivo, que pudesse servir de repouso eterno, não apenas àqueles que deram a vida pela Democracia no campo de batalha, mas também aos que sobreviveram e ainda lutavam para preservar os mesmos ideais.

E a luta não foi pequena, somente em 1964, conseguiu-se a doação de uma área pela Prefeitura Municipal e a construção do esperado mausoléu finalmente foi iniciada:  meio século depois do término do conflito. O Mausoléu do Soldado Constitucionalista de Santos inaugurado em 09 de julho de 1982, está localizado dentro do Cemitério da Areia Branca, próximo à divisa com o município de São Vicente, e sua utilização é exclusiva para os despojos de ex- combatentes da região que tiveram sua participação confirmada no Movimento Constitucionalista Paulista de 1932.

Por Gilmar Domingos de Oliveira – Jornalista Mtb 29040